CARTILHA DO ALUNO · MÓDULO 1

Bem-vindo ao seu primeiro passo no teclado.

Este material é seu guia de consulta: volte aqui sempre que tiver dúvida sobre postura, nome das notas, números dos dedos ou acordes. Não é preciso decorar nada de uma vez — é para consultar, semana após semana.

Como usar: siga a ordem dos capítulos no índice. Cada um constrói sobre o anterior — pular etapas costuma criar dúvidas mais na frente.
CAPÍTULO 1

As partes do teclado

Teclados mudam de modelo para modelo, mas os controles essenciais estão sempre lá — e com outros nomes na sua marca. Saber o que cada um faz evita aquele susto de "sumiu o som" no meio do estudo.

Teclado visto de cima, com seis pontos numerados indicando painel de controle, visor, botões de timbre, botões de ritmo, controle de volume e as teclas. 001 2 1 4 3 5 6
  1. 1Botões de timbre (voice / tone) — trocam o som: piano, órgão, cordas. Comece e termine sempre no piano.
  2. 2Visor — mostra o número do timbre ou do ritmo selecionado.
  3. 3Volume principal — se o teclado "não liga som", é o primeiro lugar a conferir.
  4. 4Botões de ritmo / acompanhamento — a bateria automática. Útil depois; atrapalha no começo.
  5. 5Teclas brancas — são as sete notas naturais, repetidas de ponta a ponta.
  6. 6Teclas pretas — vêm sempre em grupos de 2 e de 3. São elas que te orientam no teclado.
Dica: os nomes mudam conforme a marca — o que a Yamaha chama de Voice, a Casio chama de Tone. Se não achar um botão, procure pela função, não pela palavra exata.
CAPÍTULO 2

Postura e altura certa

No teclado, quase todo problema de postura começa na altura errada do banco. Acertar isso na primeira semana evita dor no ombro e no punho mais adiante.

Pessoa sentada de frente para o teclado, com costas retas, antebraços paralelos ao chão e pés apoiados. 1 2 3 4
  1. 1Costas retas — sentado na metade da frente do banco, sem encostar todo o corpo para trás.
  2. 2Ombros soltos — se o ombro sobe, o banco está baixo demais.
  3. 3Antebraço paralelo ao chão — a linha do cotovelo bate na altura das teclas. Esta é a medida que define a altura do banco.
  4. 4Pés apoiados no chão — se não alcançam, use um apoio (uma caixa firme resolve).
Mão em concha: imagine segurar uma bolinha de pingue-pongue. Os dedos tocam com a pontinha, o punho fica na linha do antebraço — nem caído, nem levantado.
CAPÍTULO 3

Suas mãos e os números dos dedos

No teclado as duas mãos usam a mesma numeração, de 1 a 5, começando pelo polegar. É esse número que aparece em qualquer diagrama de acorde ou partitura.

Mão esquerda

Mão esquerda vista de cima, com o polegar à direita numerado 1 e os demais dedos numerados 2, 3, 4 e 5 da direita para a esquerda. 1 2 3 4 5

Na mão esquerda o polegar (1) fica do lado direito, apontando para o centro do teclado. O mindinho (5) toca as notas mais graves.

Mão direita

Mão direita vista de cima, com o polegar à esquerda numerado 1 e os demais dedos numerados 2, 3, 4 e 5 da esquerda para a direita. 1 2 3 4 5

Na mão direita o polegar (1) fica do lado esquerdo. O mindinho (5) toca as notas mais agudas.

O polegar é sempre 1. É a diferença que mais confunde quem já mexeu com violão: lá o polegar nem entra na conta, aqui ele é o dedo número 1 nas duas mãos. Os números são espelhados — o 1 de uma mão aponta para o 1 da outra.
CAPÍTULO 4

Teclas brancas e pretas: o padrão que se repete

O teclado parece um mar de teclas iguais, mas não é. As pretas vêm sempre em grupos de duas e de três, e esse desenho se repete de ponta a ponta. É o seu mapa — decorou isso, você nunca mais se perde.

Duas oitavas de teclado mostrando que as teclas pretas se organizam sempre em grupos de duas e de três, e que o padrão se repete. Dó Dó grupo de 2 grupo de 3 grupo de 2 grupo de 3 ← o mesmo desenho se repete por todo o teclado →

Por que isso importa

Sem os grupos de pretas, todas as teclas brancas seriam idênticas e não haveria como saber onde você está. Os grupos funcionam como as marcações de uma régua: você não conta desde a ponta, você olha a marca mais próxima.

A regra do Dó

Dó é sempre a tecla branca imediatamente à esquerda do grupo de 2 pretas. Não existe exceção. Ache um grupo de 2, desça uma branca à esquerda: é Dó. Esse é o único ponto que você precisa memorizar no teclado inteiro.

Exercício de 1 minuto: com o teclado desligado, encontre todos os Dós do instrumento usando só a regra acima. Faça isso por alguns dias, no começo do estudo. Em uma semana você para de contar e passa a enxergar.
CAPÍTULO 5

Achar o Dó e o nome das notas

As sete teclas brancas, de Dó a Si, dão uma volta completa e recomeçam. Aprendendo essa sequência uma vez, ela vale para o teclado inteiro.

Uma oitava de teclado com as sete teclas brancas nomeadas Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si, e o Dó seguinte recomeçando a sequência. Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó O Dó é sempre a branca à esquerda do grupo de 2 pretas — e no Dó seguinte tudo recomeça.

Nome brasileiro e cifra

Você vai encontrar os dois jeitos. A cifra (letra) é o que aparece na internet e nas apostilas.

  • Dó=C
  • Ré=D
  • Mi=E
  • Fá=F
  • Sol=G
  • Lá=A
  • Si=B

E o Dó central?

É o Dó que fica mais ou menos no meio do teclado, em geral perto da marca do fabricante ou do visor. Num teclado de 61 teclas, é o terceiro Dó da esquerda para a direita.

Ele é o ponto de encontro das duas mãos: a mão direita costuma tocar dele para a direita, a esquerda dele para a esquerda. Quando o professor disser "comece no Dó central", é esse.

Cuidado com a decoreba: não tente memorizar o nome de cada tecla uma por uma. Memorize só o Dó e conte a partir dele. A velocidade vem sozinha com as semanas.
CAPÍTULO 6

Como ler uma cifra e um diagrama

Cifra é o nome do acorde escrito em letra. Diagrama é o desenho que mostra quais teclas apertar. Com esses dois você consegue tirar qualquer música da internet sozinho.

A letra é a nota principal

A letra sozinha significa acorde maior, de som alegre e aberto:

C = Dó maior  ·  G = Sol maior  ·  F = Fá maior

Um m minúsculo depois da letra significa menor, de som mais triste e fechado:

Am = Lá menor  ·  Em = Mi menor  ·  Dm = Ré menor

O diagrama é o teclado visto de cima

Cada desenho mostra um pedaço do teclado. As teclas marcadas em dourado são as que você aperta; o número dentro do círculo é o dedo que faz aquela tecla.

Os nomes embaixo ajudam a conferir se você está no lugar certo. Comece sempre achando o Dó do desenho no seu teclado.

Um acorde são três notas tocadas juntas. Nos quatro acordes desta cartilha, elas caem sempre nos dedos 1, 3 e 5 da mão direita, pulando uma tecla branca entre cada uma. Percebendo esse desenho da mão, os quatro viram um só movimento.

Pronto para ver os diagramas de verdade? Eles estão no próximo capítulo.

CAPÍTULO 7

Seus primeiros 4 acordes

Com estes quatro você já toca centenas de músicas. Todos usam os dedos 1, 3 e 5 da mão direita, e todos ficam na mesma região do teclado — só a mão desliza.

Como ler: 1 tecla que você aperta, com o número do dedo Dó tecla livre, não toca Mão direita, com o polegar (1) na nota da esquerda
Comece pelo Dó maior (C). Polegar no Dó, dedo 3 no Mi, dedo 5 no Sol — pulando uma branca entre cada dedo. Sinta o formato da mão: os outros três acordes são esse mesmo formato deslizado para outro ponto.
CAPÍTULO 8

Exercícios de troca de acordes

Tocar um acorde é fácil. O que separa quem toca de quem não toca é a troca. Estes exercícios são curtos de propósito: é melhor cinco minutos por dia do que uma hora no domingo.

  1. 1

    Formar e soltar (sem pressa)

    Monte o C, toque, solte a mão completamente do teclado. Monte de novo. Dez vezes. O objetivo não é velocidade: é a mão aprender a cair já no formato certo.

  2. 2

    Dois acordes, quatro tempos cada

    C por quatro tempos, Am por quatro tempos, e volta. Conte alto: "um, dois, três, quatro". Se atrasar na troca, conte mais devagar — nunca corra atrás do tempo.

  3. 3

    A troca antecipada

    No quarto tempo, comece a soltar os dedos e mover a mão antes de o tempo acabar. Trocar acorde não é um salto, é um deslize que começa cedo. Este é o exercício que mais rende.

  4. 4

    A volta completa

    C → Am → F → G, quatro tempos em cada, sem parar, em roda. Essa sequência é a base de muita música popular. Quando ela sair limpa e sem olhar para as mãos, você está pronto para o ritmo.

Se travar: volte para dois acordes só. Insistir em quatro quando dois ainda não saem é o caminho mais rápido para desanimar.
CAPÍTULO 9

Seu primeiro acompanhamento

Agora as duas mãos juntas. A esquerda faz o baixo, a direita faz o acorde — alternando. É o acompanhamento mais usado do mundo e cabe em quatro tempos.

1
baixo
mão esquerda
2
acorde
mão direita
3
baixo
mão esquerda
4
acorde
mão direita

Mão esquerda: uma nota só

Toque apenas a nota que dá nome ao acorde, com o dedo 5, bem grave. No C, toque o Dó. No Am, o Lá. No F, o Fá. No G, o Sol. Uma tecla, nada mais — e já soa como música.

Mão direita: o acorde inteiro

As três teclas do capítulo 7, tocadas juntas, curtas. Não segure o som até o próximo tempo: solte, respire, toque de novo no tempo 4.

Monte por partes. Primeiro só a mão esquerda nos tempos 1 e 3, umas dez vezes. Depois só a direita nos tempos 2 e 4. Só então junte. Tentar as duas de primeira é o erro clássico — e frustra à toa.
Sobre o ritmo automático do teclado: deixe desligado por enquanto. Ele acelera e não espera por você; no começo, atrapalha mais do que ajuda. Quando a troca de acordes estiver firme, aí sim ele vira um bom companheiro de estudo.
CAPÍTULO 10

Dúvidas frequentes

As perguntas que aparecem quase toda semana nas primeiras aulas.

Quantas teclas meu teclado precisa ter?

Para tudo desta cartilha, 61 teclas sobram. Dá para estudar até com 49. O número de teclas só começa a pesar quando você for tocar peças que usam os extremos do instrumento — o que ainda vai demorar.

Preciso de teclas pesadas, tipo piano?

Não para começar. Teclas leves são até mais confortáveis nas primeiras semanas. Se mais para a frente você quiser migrar para piano, aí a ação pesada passa a fazer diferença — mas isso é decisão para outro momento, não para agora.

Quanto tempo devo estudar por dia?

Quinze a vinte minutos, todo dia, rende muito mais que duas horas no fim de semana. O que constrói a memória da mão é a repetição espaçada, não a duração de cada sessão.

Posso estudar com fone de ouvido?

Pode, e ajuda bastante quem mora com mais gente. Só cuide do volume: como não incomoda ninguém, é fácil exagerar sem perceber. Se ao tirar o fone o ambiente parecer abafado, estava alto demais.

Minha mão cansa depois de poucos minutos. É normal?

Um cansaço leve no começo é esperado. Dor, não. Dor quase sempre vem de banco na altura errada, punho caído ou dedos esticados demais — vale reler o capítulo 2. Se doer, pare e ajuste a postura antes de continuar.

Preciso aprender a ler partitura?

Não para tocar as músicas que você gosta — a cifra resolve. Partitura é uma ferramenta a mais, muito útil, mas que pode entrar depois, quando tocar já for prazeroso. Aprender as duas coisas ao mesmo tempo costuma cansar.

Estou tocando as notas certas mas não parece música. Por quê?

Quase sempre é constância de tempo. Notas certas em tempos irregulares soam erradas; notas simples em tempo firme soam bem. Conte alto enquanto toca — é o remédio mais simples e o mais ignorado.